Moçambique tem um imensurável potencial agrícola mas cerca de 50 % do seu povo sofre duma subnutrição aguda

18/10/2012

 

 

 

De facto, dados estatísticos que compilei a partir de peritos ligados a um Projecto da FAO, denominado CountryStat, que tem estado a avaliar o (in)desenvolvimento agricola dos paises membros desta Organização da ONU, providencia, no caso de Moçambique, mais do que um facto, que que (com)provam que esta minha hipotética resposta seria a mais certa, porque em termos agrícolas, o pais ainda é mesmo virgem.

 

É que dos 39 milhões de hectares que são, por assim dizer, agricultáveis, somente menos de 5% é que estão sendo cultivados, mas mesmo assim, usando métodos que não permitem que se tire o seu máximo potencial. O que prova que não só se está a aproveitar muito pouca terra arável em Moçambique, como a que se aproveita, aproveia-se muito mal, é que por cada hectar em que, por exemplo, se cultiva arrroz, apenas se consegue 1,2 toneladas deste cereal, quando entendidos nesta cultura, como o Dr.Carlos Zandamela, do INIIA em Maputo, diz que se podia conseguir, pelo menos, entre 4 a 6 toneladas, se se fosse aplicar ténicas recomendadas, como se aplicam noutros países, como acontece na China, Tailândia ou Vietname, onde se chega a colher entre 8 a 10 toneladas ou um pouco mais por hectar, e com as mesmas características de solo ou potencialidades que as dos solos moçambicanos.

 

Para o Dr. Zandamela e outros peritos moçambicanos que me deram a sua opinião sobre porque é que o rendimento por hectar no país é assim tão baixo, disseram que o que trava o desenvolvimento agrícola em Moçambique, é que os camponeses locais continua a cultivar a terra tão rudimentarmente como o faziam os seus antepassados de há centenas de anos. Ao contrário de outros países, onde já se recorre a técnicas científicas, e se cultiva com tractores e outras máquinas pesadas que fazem tão bem o trabalho que devia ser tão mal feito por milhares de caqmponeses, em Moçambique o instrumento que mais se usa, é ainda a enchada de cabo curto, e somente um punhado de seus camponeses usam, grosso modo, charruas de tracção animal, sendo que os que têm tractores, contam-se aos dedos de duas mãos.

 

Na verdade, se se usassem meios mais robustos e boas técnicas de maneio da terra, e outros insumos que concorrem para aumentar as colheitas, como as regas, os fertilizantes ou adubos, Moçambique seria hoje mais do que auto-suficiente no dominio alimentar, e teria excedentes para exportar para todos os paises que não dispõem de terras aráveis, como os do Medio Oriente, que têm mais desérticos, e que usam os milhões de dolares que amealham pelo petroleo de que a natureza os dotou como único recurso natural, para comprar a comida que não podem produzir.

 

Seria, certamente auto-suficiente, e um dos maiores exportadores de bens alimentares, porque mais de 15 milhões dos mais de 20 moçambicanos são camponeses, e tem como principal actividade, o cultivo da terra. Só estes mais de 15 milhões é um grande potencial que daria a Moçambique uma vantagem comparativa, que colocaria o pais à frente dos que só contam com uma minoria da sua população na agricultura, como são os casos da Alemanha e EUA, onde somente 4% dos seus povos se dedicam às actividades agrícolas, mas que mesmo assim, têm auto-suficiência alimentar, e exportam milhões de toneladas de excedentes para todo o mundo, porque esse seu punhado de camponeses, usam os tais meios robustos que acabam sendo capazes de produzir tanto para eles como para os seus milhões de compatriotas e para os do resto do mundo.

 

O que mostra que a falta de meios adequados não permite que estes mais de 15 milhões de camponeses não tirem o máximo proveito das imensas e ferteis terras em que vivem, é que somente 1 % (sim, um por cento) de um total de 3,6 milhões de explorações ou propriedades agrícolas, é que estão no conjunto das ´´grande explorações´´, cujas areas vão de 200 a 500 hactares.

 

O que prova que o país tem apenas um numeroso exército de camponeses totalmente ineficazes para a batalha contra a fome no país, porque não têm meios para produzir com eficacia, é que 99 por cento das 3,6 milhoes de propriedades ou explorações agrícolas, e que comprazem 1,5 milhão de hectares cultivados, fazem parte do conjunto das ´´pequenas explorações´´ cujas areas vão de 10 a 50 hectares. Mais do que isto, é que além de serem muito pequenas, a sua produção ou output, é também muito pouco. Por exemplo, a produção total de milho, arroz, mapira e mexoeira, esteve sempre entre 1.400.000 e 1.500.000 toneladas em toda a historia agricola do pais, o que é bastante baixa. No caso do de arroz, que é um dos cereais menos produzida no pais mas que é a de maior procura e óbviamente um dos mais caros nas zonas urbanas moçambicanas, a sua produção total interna nunca passsou de 150 mil toneladas por ano, o que é uma gota no oceano, quando comparada com a de outros paises que, embora tenham pouca terra, como o Vietname, atinge agora 38 milhões de toneladas/ano, dos quais seis milhões se destinam à exportação, incluindo para Moçambique.

 

O que salta logo à vista quando se analisam esses dados, é que a agricultura em Moçambique ainda é rigorosamente feita com os mesmos instrumentos que se usavam há centenas de anos, resumindo-se à enxada de cabo curto, e somente alguns poucos camponeses se valem da tracção animal ou na melhor das hipoteses, usamo tractor. Isto faz com que as areas cultivadas sejam muito pequenas que só dão para o auto-sustento dos que cultivam essas pequenas explorações, e nunca tenham excedentes que possam vender para se alimentar a sua população urbana, agora num crescimento acelerado como tem estado a acontecer em quase todos os países. Uma vez chegado aqui, fica mais do que evidente, que é este uso de meios rudimentares no cultivo e na colheita, que faz com que Moçambique seja forçado a importar, principalmente da Africa do Sul, mas também doutros países tão longícuos como o Vietname e a Tailândia, quase todos os víveres que os seus habitantes precisam para se alimentar, especialmente os pouco mais de cinco milhões que vivem nas cidades,numero a que se adiciona os estrangeiros que os visitam ou aqui residem permanentente.

 

 

 

Há que se parar de gastar milhões de dólares para se importar o que o país pode produzir gasdtando menos milhões

 

 

 

Durante a investigação que fiz para entender porque é que Moçambique tem de importar quase toda a comida com que alimenta o seu povo, quando dispõe de terras tão suficientes e muito ferteis, como as do Vale do Zambeze, no centro do pais, ee da região de Chokwe na zona sul, soube que o problema reside no facto de que a agricultura nunca se considerou como vital para todo o outro desenvolvimento. Um dos técnicos que assim setencia é o Dr. Carlos Zandamela, do INIIA e que tem estado ha mais de 30 anos a lutar para que as autoridades moçambicanas assuma de uma vez por todas, que a guerra que se trava no pais contra a pobreza, só sera ganha se o pais produzir comida suficiente para todos os seus habitantes.

 

Ele contou-me com ar desgastado semana passada no seu gabinete de trabalho, que o que está sendo feito agora, é pegar no dinheiro que que o pais consegue amealhar com a exportação de outros produtos, como a madeira, mariscos, para se importar comida a preços de ouro, quando se podia produzir interimamente a custos mais baixos.

 

´´Se produzissemos a comida que precisamos, o dinheiro que amealhamos com a venda de outros produtos, como as tais madeiras, camarão ou mesmo carvão agora que está a começar a explorar-se em Tete, seria aplicado noutras áreas vitais para o nosso progresso como povo, como as da educação, saúde e outras que agora recebem quinhentas do Orçamento Geral do Estado, porque gastamos milhões de dolares na importação da comida que podiamos produzir a muito baixo custo´´, disse o Dr. Carlos Zandamela, visivelmente triste, porque tanto ele como os seus colegas não estão, segundo ele, sendo entendidos por quem de direito. Para ele, o que está mais do que provado que o mais que se faz em Moçambique, são discursos e decisões que depois nunca mais passam de letera morta. Ele vincou que, em termos rigorosos, a produção agricola no pais continua sendo feita nos mesmos moldes e tecnicas em que era feita no tempo colonial, e que o mais que se tem feito de diferente agora, é fazer-se conferências ou seminarios em que se tomam decisões muito bonitas, mas que nunca se chgam a por em pratica. ´Este é o nosso maior calcanhar de aquiles´´, disse em tom lamentoso, antes de vincar que a agricltura em Moçambique só terá pernas para andar, melhor, para correr porque só assim poderemos acertar o passo, quando se assumir que é com um povo bem alimentado que se desenvolve um pais. Ele pode ter razão, tanto mais que sou dos que acredito que tem razão Mandela quando diz que um povo faminto não tem cabeça para perceber seja que for, e muito menos para pensar e ter forças para fazer qualquer coisa que seja, muito menos para desenvolver um pais.